A consagrada artista sobe ao palco este sábado para um concerto comemorativo com lotação praticamente esgotada.
O Cineteatro de Amarante prepara-se para viver uma noite de celebração este sábado, assinalando o seu terceiro aniversário com um espetáculo de excelência que junta a voz inconfundível de Sofia Escobar à prestigiada Orquestra do Norte, formação com sede no concelho.
O Tâmegasousa.pt acompanhou de perto o último ensaio geral para o grande concerto e testemunhou o rigor e a cumplicidade que imperam entre a artista e os músicos.
Para Sofia Escobar, a estreia neste palco amarantino é motivo de profundo entusiasmo: “É um amor enorme poder estar num espaço tão fantástico como este, é a primeira vez que cá estou. Espero que seja a primeira de muitas, porque realmente é uma sala extraordinária”, confessou a cantora no final dos preparativos, destacando a forte adesão do público: “Eu sei que já temos quase os bilhetes todos vendidos e isso também é bom sinal, é sinal de que o público aqui adere a espetáculos de qualidade, como esta sala merece.”

A escolha do alinhamento resultou de um processo conjunto entre a solista e a direção musical.
“O repertório foi escolhido em conjunto com o maestro, de acordo com o espaço, podíamos explorar sonoridades diferentes”, explicou Sofia Escobar, detalhando a viagem musical preparada para o público: “Vamos fazer um bocadinho de repertório de teatro musical de temas bem conhecidos do público, mas também vamos passear aqui um bocadinho por Ennio Morricone, temas que eu pessoalmente adoro e que acho que com a orquestra destas também… tudo se consegue a um nível mesmo muito alto.”
“Fazer cultura a este nível é sempre algo, primeiro, difícil em qualquer parte do mundo. Em Portugal, mais, porque realmente falta às vezes um apoio mais sólido a estas instituições. A Orquestra do Norte para mim é das melhores orquestras que nós temos em Portugal, fazem um trabalho extraordinário” — Sofia Escobar
A intérprete aproveitou ainda para sublinhar o papel fundamental da Orquestra do Norte e a excelência do trabalho desenvolvido pela instituição, defendendo uma maior valorização pública e institucional da cultura regional:
“Eu já lhes disse, e repito aqui para vocês também, quase que era possível vir diretamente para o concerto, porque o trabalho está tão bem feito que às vezes é só chegar aqui e limar uma coisinha ou outra. É mesmo só limar o diamante em bruto um bocadinho aqui e ali. E realmente é merecedor de mais apoio, de mais validação, de mais, enfim, este give and take, não é? Eu acho que eles dão muito mais do que recebem.”
Refletindo sobre a importância da atividade cultural na sociedade contemporânea, Sofia Escobar deixou um elogio rasgado ao investimento feito pelo município amarantino na cultura e na dinamização do cineteatro local: “A cultura tem um papel tão importante na sociedade que é
mesmo vital que os municípios e toda a parte política deem essa devida importância, porque isto é o que nos eleva, é aquilo que faz com que as pessoas tenham vontade de viver. É a arte.”

A artista acrescentou ainda um agradecimento especial à assistência: “Portanto, se isso não foi prova viva de que a arte é tão importante como tudo o resto nas nossas vidas, não sei o que é que será.
Portanto, é de aplaudir o investimento do município aqui numa sala tão fantástica como esta, é de aplaudir o público que continua a encher as salas, que sem isso não conseguimos fazer absolutamente nada, podemos ter a sala mais maravilhosa e o espetáculo mais bonito, que se
ninguém vier, não conseguimos fazer nada, não é?”
Do lado da liderança musical, o maestro Fernando Marinho destacou o privilégio e a responsabilidade de conduzir a centenária e pioneira formação regional neste aniversário solene.
“É uma honra para mim, em primeiro lugar, dirigir uma orquestra com o historial que a Orquestra do Norte tem, é a orquestra regional mais antiga do país, está sediada aqui em Amarante, apesar de tocar em muitos dos municípios aqui contíguos, de toda a zona norte.”
— Maestro Fernando Marinho
O maestro enfatizou igualmente o espírito de missão que move a orquestra no seu dia a dia e na relação estreita com as comunidades locais: “E poder partilhar a música com um grupo de homens e de mulheres que fazem isto, obviamente com um sentido profissional daquilo que é o bem querer, mas também com um sentido de querer dar sempre mais, porque essa é a nossa missão enquanto
orquestra regional: portanto, levar aquilo que melhor tem a cultura, e neste caso a música em particular, à população.”

Com os bilhetes praticamente esgotados, o Cineteatro de Amarante prepara-se assim para fechar com chave de ouro três anos de intensa programação cultural, reafirmando-se como um polo de referência artística na região do Tâmega e Sousa.



