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Autarcas de Baião e Resende e PS/Porto e Viseu querem ligação à ponte da Ermida

Os presidentes das câmaras de Baião e Resende e os líderes das distritais do PS/Porto e Viseu manifestaram hoje descontentamento com o Governo por o Plano Nacional de Investimentos não prever a ligação à ponte da Ermida.

Reunidos em Baião para analisar o assunto, os deputados dos dois distritos, acompanhados dos autarcas de Baião (Porto) e Resende (Viseu), prometeram que irão pressionar o Governo para incluir aquela infraestrutura rodoviária reclamada desde 1985.

 

Conferência de imprensa Samta Marinha ligação à ponte da Ermida deputados

 

No final dos trabalhos, autarcas e dirigentes das duas distritais participaram numa conferência de imprensa.

António Borges, presidente da distrital de Viseu, e Manuel Pizarro, da distrital do Porto, acentuaram a necessidade de o executivo de António Costa ser sensível à reivindicação dos dois concelhos, em nome da coesão territorial.

António Borges disse ser “impensável que um investimento como este não esteja no PNI 2030”, deixando a ideia de que será ainda possível, na Assembleia da República, alterar aquela situação.

Manuel Pizarro, do PS/Porto, considerou haver “argumentos fortíssimos” de “natureza económica e social” que justificam a obra, também em nome da “coesão territorial e social”.

O dirigente prometeu bater-se junto do Governo para que a ligação à ponte da Ermida fique “inequivocamente consagrada no PNI 2030”.

 

26 MILHÕES DE INVESTIMENTO

 

A variante hoje reclamada teria uma extensão de cerca de 13 quilómetros. A primeira fase, entre Baião e a EN 108, na zona de Santa Cruz do Douro, seria uma construção de raiz, com cerca de sete quilómetros. A segunda fase, até às proximidades da ponte da Ermida, numa extensão de cerca de seis quilómetros, seria através da requalificação do atual troço da EN108.

O conjunto das duas fases representaria um investimento de 26 milhões de euros.

Os autarcas Paulo Pereira, de Baião, e Garcez Trindade, de Resende, disseram, por seu turno, não compreender a razão pela qual a obra não foi contemplada no PDI 2030, recordando a existência de inúmeros estudos, desde 1985, a justificar a sua construção.

 

PROCESSO FOI INICIADO EM 1985

 

Na reunião, que se realizou em Santa Marinha do Zêzere, no concelho de Baião, a poucos quilómetros da ponte da Ermida, sobre o Douro, que une os dois municípios e os dois distritos, foi apresentado um documento que faz a cronologia do conturbado processo, desde 1985, destacando-se os 18 estudos, a construção da ponte em 1998, inaugurada por Jorge Sampaio, e o lançamento do concurso para a variante em 2009.

Apesar de chegar a ser objeto de concurso público, a obra nunca chegou a arrancar, mantendo-se as dificuldades de ligação entre Baião e a Ponte da Ermida, infraestrutura que foi concebida e dimensionada para ser um eixo viário que ligasse a A4, em Penafiel, às A24, em Lamego, passando por Marco de Canaveses, Baião e Resende.

As duas primeiras fases foram realizadas, mas a terceira, entre Baião e a Ponte da Ermida, e a quarta, até Bigorne, nunca saíram do papel, como foi hoje lamentado pelo presidente de Resende.

 

Conferência de imprensa Samta Marinha ligação à ponte da Ermida Garcês Trindade

 

O autarca socialista lembrou a importância estratégica daquela via, nomeadamente a sua terceira fase, para assegurar uma ligação mais rápida ao litoral e a Penafiel (A4), onde se encontra o hospital de referência da região, atualmente a mais de uma hora de distância.

Paulo Pereira, de Baião, também do PS, disse haver “todos os argumentos” que justificam a construção da estrada, frisando que iria garantir mais desenvolvimento e emprego, ajudando à fixação da população e ao desenvolvimento do turismo.

Lamentou, depois, que haja “tantos milhões” disponíveis para grandes obras na zona de Lisboa e no sul do país e não haja 26 milhões para uma infraestrutura reclamada há décadas pela população de vários concelhos.

 

Conferência de imprensa Samta Marinha ligação à ponte da Ermida Paulo Pereira

 

Recordando que a obra é uma promessa antiga de vários governos, o autarca do PS defendeu que aquela seria “uma boa oportunidade” para o atual executivo “honrar a palavra”.

O deputado Fernando Jesus, eleito pelo Porto, considerou que a não inclusão da obra no PNI 2030 é uma “desconsideração para a região” e prometeu que o PS tudo fará no parlamento para alterar a situação.

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