O concelho de Marco de Canaveses vai receber as duas últimas etapas do Campeonato do Mundo de Enduro. A primeira acontece a 6, 7 e 8 de novembro. A segunda realiza-se na semana seguinte, nos dias 13, 14 e 15.
O evento, organizado pelo Motor Clube do Marco (MCM), Federação de Motociclismo de Portugal (FMP) e pela Câmara Municipal de Marco de Canaveses (CMMC), foi apresentado na quarta-feira.
Cristina Vieira, presidente da autarquia, referiu que apesar “do atual contexto da pandemia”, o município fez “um esforço grande”, no sentido de acolher a prova, porque “este evento vai promover o concelho”.

“Temos vindo a fazer uma aposta estratégica nos grandes eventos desportivos, que nos ajudam a evidenciar o que de melhor há no concelho. Penso que será muito bom para Marco de Canaveses, porque nestes quinze dias vamos contar com a presença de muitos pilotos estrangeiros e da imprensa especializada”.
“Espero sobretudo que traga uma mais-valia no âmbito da hotelaria e da restauração, porque estamos a atravessar uma fase particularmente difícil. Por isso, é também uma forma de podermos colaborar e ajudar o comércio local”, sustentou.
Marco de Canaveses iria receber apenas uma das etapas do Mundial de Enduro, entre 13 e 15 de novembro. No entanto, acabou também por assumir a organização da prova que inicialmente estava destinada à localidade de Lalin, em Espanha, e que foi cancelada devido ao agravamento do número de infetados por covid-19 no país.

Daniel Pinto, presidente do Motor Clube do Marco, admite que esta opção acarreta um substancial esforço financeiro por parte da organização. “
“Fazer uma prova ou duas não é a mesma coisa. Não é exatamente o dobro das despesas, mas é quase. É com muito trabalho e com muito esforço que vamos fazer as duas provas”, reconheceu.
Para a dupla jornada de Marco de Canaveses, neste momento, estão já inscritos “cem pilotos estrangeiros e 50 nacionais”, revelou Pedro Mariano, presidente da Comissão de Enduro da FMP.
“É uma lista mais baixa do que nos dois primeiros eventos, em França e em Itália, mas é normal. Geralmente, são eventos com mais participação. No entanto, isto não nos tira em nada a importância desta prova. Porque aqui é a final, onde vão ser decididos os cinco títulos mundiais que vão estar em jogo”, sublinha.
A competição terá “três especiais” cronometradas, numa extensão total de “50 quilómetros”, revelou Pedro Bianchi Prata, diretor da dupla prova marcuense.
A pista ‘Enduro Test’, ficará situada em Tuías, cujo “acesso ao público de carro ou por estradas normais será completamente vedada”.
A pista ‘Cross Test’, denominada de ‘Paulo Gonçalves’, em homenagem ao piloto falecido no início do ano, no Dakar, ficar localizada na freguesia de Bem Viver. “É a especial que mais nos preocupa, porque o seu início é muito perto da estrada, mas estará completamente fechada ao público. Será proibido o estacionamento de carros nas proximidades”, adiantou Bianchi Prata.
Na zona de Montedeiras, ficará localizada a pista ‘Extreme Test. Segundo o diretor da prova “é o local mais espetacular para a corrida ser vista”. “Terá as maiores condições de segurança, porque o espaço é completamente aberto, onde as pessoas poderão estar espalhadas”, vincou.
Inicialmente projetada para o Largo da Feira, como aconteceu há um ano no nacional de enduro, a ‘Extreme Test’ foi deslocalizada para Montedeiras para evitar a aglomeração de pessoas numa área próxima do centro da cidade e, sobretudo, junto ao paddock, que “será completamente vedado ao público”, anunciou Pedro Mariano, da FMP.
“Aquele espaço é para estar fechado e a entrada só será permitida a quem estiver credenciado. Infelizmente, o público em geral não pode ir ali tirar uma fotografia com o campeão do mundo ou ir ver as motos. Lamentamos, mas são as restrições que temos”.

Tendo em conta a evolução do número de casos de infeção por Covid-19 em Portugal, a organização vai implementar uma série de medidas de segurança para evitar a excessiva concentração de pessoas.
“Os locais das partidas e das chegadas, onde normalmente há mais público, vão estar vedados. Todos os acessos de carro às especiais vão estar fechados”, adianta Daniel Pinto.
“Vamos ter também cartazes informativos com indicações para os locais onde as pessoas poderão ter acesso à prova. Teremos ainda voluntários com a função de dispersar as pessoas de sítios onde estejam mais juntas e para as espalhar pelas especiais, que são gigantes. Também o trânsito será limitado e teremos a Polícia Municipal a colaborar connosco nesse sentido”, acrescentou Bianchi Prata.
A presidente da autarquia, Cristina Vieira, também deixou apelou à responsabilidade individual dos marcuenses.
“Depois de todo este esforço que está a ser feito, o contributo que os marcoenses podem dar é que cumpram com as normas da DGS. Há espaço para que todos cumpram com as regras do afastamento e do uso da máscara. Acho que a organização merece este voto de confiança dos marcuenses”, disse.
Também Pedro Mariano, presidente da Comissão de Enduro da Federação de Motociclismo de Portugal, pede ao público “que se porte à altura do evento que aqui vão ter em Marco de Canaveses”.
“Se assim for, com certeza, não vamos ter problemas. O segundo fim de-semana pode ter consequências se nos portarmos mal no primeiro não correr bem e é isto que as pessoas têm que consciencializar”, frisou.
Tendo em conta a dimensão do evento, o Motor Clube do Marco abriu inscrições a voluntários que queiram apoiar a organização a nível logístico.
“Vamos precisar de mais gente. Lançámos o repto, já temos mais de 30 voluntários, mas outros que queiram estar mais perto dos pilotos e juntar-se a nós para ajudar a realizar estas duas provas da melhor forma ainda podem fazê-lo”, explicou Daniel Pinto.
Os interessados podem responder a este desafio inscrevendo-se através do website www.mcmarco.pt, ou na página do Motor Clube no Marco, na rede social Facebook.











