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“O Lugar do Génio, o Génio do Lugar”: Amarante Apresenta Candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028 (C/VÍDEO)

Numa sessão marcada pelo prestígio institucional e pela emoção de um regresso às origens, Amarante deu mais um passo rumo à distinção nacional

Sob o lema “O lugar do génio, o génio do lugar”, a estratégia apresentada pelo município aposta num plano de desenvolvimento cultural a dez anos, unindo a força do património histórico à capacitação da comunidade.

 

A apresentação oficial do comissário da candidatura de Amarante a Capital Portuguesa da Cultura 2028 marcou o arranque de uma fase crucial, pautada, segundo os seus promotores, por uma visão que recusa eventos efémeros para abraçar um desígnio estrutural de longo prazo.

No centro da ambição, segundo a candidatura, está a valorização do imenso património literário e artístico da terra de Pascoaes, de Souza-Cardoso e de Agustina, transformando o passado num motor vivo para a criação contemporânea.

 

A escolha de um nome com raízes profundas

O presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, começou por destacar o prestígio e a ligação pessoal do comissário à cidade, sublinhando a importância desta escolha para o projeto.

“É precisamente isso que queremos construir e apresentar nesta candidatura: é um programa. E daí nós termos convidado alguém, alguém que tem, diria, acho que não é preciso muitas apresentações, pelo seu passado, pela aquilo que está a fazer no panorama cultural, daquilo que é também já a sua marca, que é o Martim Sousa Tavares”, afirmou o autarca.

Jorge Ricardo relevou o ato de coragem e dedicação do comissário, lembrando que Martim Sousa Tavares recusou convites de outras cidades importantes para abraçar este papel: “Queria lhe dizer, Martim, que é uma enorme honra ter aceitado este convite, um convite para ser o comissário desta candidatura.”

 

Um vínculo afetivo que vem do coração

Assumindo o cargo como uma honra pessoal e um regresso às suas origens familiares, Martim Sousa Tavares explicou o conceito estruturante da candidatura. O comissário partilhou que a sua ligação a Amarante atravessa gerações, afirmando orgulhosamente ser “pelo menos a terceira geração da minha família a ter uma relação, a relacionar-se com Amarante não sendo de Amarante”.

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O comissário detalhou memórias marcantes que unem a sua estirpe ao concelho: “Porque já a minha avó privou com Teixeira de Pascoaes, foi até à Grécia com a Agustina Bessa-Luís, num Volkswagen de Carocha desde a Praia da Granja até Atenas, e o meu pai passou aqui os anos mais felizes da sua infância, escreveu sobre isso. Portanto, é um prazer e de facto vem do coração este dizer que sim.”

 

“O Lugar do génio, o génio do lugar”

Para Martim Sousa Tavares, a candidatura assenta numa circunstância única que reside na dualidade do mote escolhido.

“O lema desta candidatura é o lugar do génio, o génio do lugar e em oito palavras nós temos um conteúdo programático completo”, explicou o comissário, desenvolvendo a premissa: “O lugar do génio, nós pensamos em Amarante, pensamos no lugar onde estamos, não é? Que celebra Teixeira de Pascoaes, pensamos em Amadeo, pensamos na Agustina e outros tantos nomes. Portanto, é um lugar de génios.”

A estratégia ambiciona ir mais além da celebração consagrada, procurando ativar o talento contemporâneo: “Nós queremos continuar a celebrar o génio destes grandes nomes, mas também a procurar os génios que estão em Amarante hoje. Quem são eles? De que é que eles precisam para revelar a sua genialidade? E mais do que isso, queremos que os amarantinos convivam com a genialidade.”

 

Um plano a dez anos: A cultura na vida quotidiana

Mais do que lutar por um título de um ano, o projeto desenhado para Amarante destaca-se pela ousadia de propor um plano de desenvolvimento cultural a dez anos. O comissário sublinhou a urgência de descentralizar e dar palco à comunidade local, contrariando as tendências de isolamento e a hiper digitalização.

“Esta é uma candidatura feita a muitas mãos. Eu apenas ponho o meu nome e as minhas ideias, mas nós ouvimos todo o ecossistema cultural amarantino e perguntamos-lhes uma coisa: qual é o vosso projeto de sonho? Aquilo que não fizeram ainda e mais gostariam de fazer, qual é a vossa utopia?”, apontou Martim Sousa Tavares, reforçando que o foco reside na capacitação das companhias de teatro, de dança, das associações e das freguesias locais.

Por seu lado, o presidente Jorge Ricardo reforçou o alinhamento estratégico desta aposta para o futuro: “Temos aqui, claro, projetos transversais, que são as duas coisas. Amarante tem um projeto muito ambicioso de investimento em infraestruturas que já tem vindo a fazer e vai continuar a fazer.” O autarca concluiu com convicta certeza sobre o percurso do concelho: “Se a cidade tem feito este caminho, é normal que possa sonhar com este ápice que será o ano de 2028, mas que continua a sonhar.”

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