Os eleitos social-democratas na Assembleia Municipal (AM) de Paredes abandonaram a última reunião daquele órgão em protesto pela forma “arrogante e prepotente” como a maioria socialista gere o resgate da concessão de água, indicou hoje o PSD concelhio.
Em comunicado, o PSD de Paredes descreve que, na reunião da AM de segunda-feira, estava em causa uma autorização à Câmara Municipal para resgatar à empresa ‘Be Water – Águas de Paredes’ a concessão da exploração e gestão dos sistemas de abastecimento de água para consumo público e de recolha, tratamento e rejeição de efluentes, bem como a criação dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento.
Os deputados municipais eleitos pelo PSD abandonaram os trabalhos do órgão deliberativo “em protesto pela forma arrogante e prepotente como Alexandre Almeida [presidente da Câmara] continua a gerir o dossiê ‘Be Water’, menosprezando a oposição e desrespeitando os paredenses”, acrescenta a concelhia social-democrata.
Citado no comunicado, o porta-voz da bancada do PSD na Assembleia, Manuel Gomes, sublinhou que o seu partido “tem vindo a requerer sucessivamente” junto do Município de Paredes, desde novembro de 2019, a disponibilização de todos os documentos “para poder fazer um escrutínio sério ao estado do cumprimento do contrato de concessão e uma ponderação rigorosa relativa às importantes decisões que o Município de Paredes tem de tomar neste âmbito”, acrescentando que só uma parte desses documentos foi fornecida.
O PSD acusa ainda a câmara socialista de avançar com a proposta de resgate sem o parecer da ERSAR, a entidade reguladora setorial.
Em setembro, o presidente da câmara de Paredes, o socialista Alexandre Almeida, anunciou que a autarquia ia avançar para o resgate do serviço de água e saneamento, concessionado à ‘Be Water’ em 2001, operação orçada em 22,5 milhões de euros, suportada por financiamento bancário.
O autarca justificou que a decisão de resgate decorre do facto de o município não estar satisfeito com o serviço prestado pela concessionária “Be Water – Águas de Paredes”, sobretudo, sublinhou, por não estarem a ser feitos os investimentos necessários para alargar as duas redes no concelho às zonas que carecem desses serviços essenciais.
É intenção da câmara, após o resgate, refundar o Serviço Municipal de Água e Saneamento, que existia antes da concessão, ao qual caberá gerir e alargar os sistemas de abastecimento de água e saneamento básico.
Já na última quarta-feira, o administrador da ‘Be Water – Águas de Paredes’, Alberto Carvalho Neto, disse querer “manter a operação” da concessionária e investir nas zonas em que a câmara afirma ser necessário o serviço. Mas, para isso, os subsistemas têm de ser “oficialmente entregues”.
“Nós não estamos interessados nos 22,5 milhões de euros [que a autarquia quer pagar pelo resgate da concessão], nós estamos interessados em manter a operação e estendê-la a toda a concessão onde temos direito”, afirmou.
Segundo Alberto Carvalho Neto, tanto o contrato assinado em 2001 como o aditamento realizado em 2009 previam a operação da concessionária em todo o concelho, mas “nunca aconteceu a passagem de algumas freguesias”.
JGJ (SPYC/APM) // ACG
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