InícioDestaqueReclusos de Paços de Ferreira provocaram desacatos contra greve dos guardas prisionais

Reclusos de Paços de Ferreira provocaram desacatos contra greve dos guardas prisionais

Os reclusos do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira provocaram hoje de manhã desacatos em protesto contra o incumprimento dos serviços mínimos decretados para a greve dos guardas prisionais, avançou à Lusa a Associação de Apoio ao Recluso.

O presidente da Associação de Apoio ao Recluso, António Ilharco, disse que os reclusos da ala A da prisão de Paços de Ferreira deitaram fogo a dois contentores do lixo, tendo os guardas prisionais de serviço resolvido a situação e colocado os presos dentro das celas.

António Ilharco adiantou que os reclusos já se encontram nas celas, mas estão a ameaçar com mais desacatos quando voltarem a sair das celas, estando a associação a mediar o conflito.

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), por outro lado, garante, em comunicado, que não se registaram desacatos na cadeia, tendo apenas um recluso “só queimado um canto do colchão”.

A DGRSP refere ainda que “não resultaram quaisquer ferimentos ou necessidade de assistência a elementos da vigilância ou ao recluso” e a situação foi “imediatamente resolvida pelo guarda prisional presente”.

Em causa está o incumprimento dos serviços mínimos decretados para a greve dos guardas prisionais, nomeadamente a não realização do almoço de Natal, que foi substituído por uma hora de visita.

O Colégio Arbitral decidiu integrar nos serviços mínimos, para o período de greve entre hoje e 18 de dezembro, a realização de uma chamada telefónica a cada recluso, o tradicional almoço e visitas de Natal e a entrega de uma cantina (conjunto de artigos que os reclusos pedem e são adquirido no supermercado da prisão).

O presidente da Associação de Apoio ao Recluso disse que o protesto dos reclusos de Paço de Ferreira está relacionado com a não realização do almoço de Natal e limitações à compra de bens.

Segundo António Ilharco, os supermercados das prisões estão vazios devido à greve que se prolonga há muito tempo.

António Ilharco afirmou ainda que cada cadeia está a cumprir de forma diferente os serviços mínimos “conforme a interpretação dos guardas prisionais”, sublinhando que “os sindicatos são quem mandam nas prisões”.

A Associação de Apoio ao Recluso vai ser hoje recebida na Presidência da República para dar conta do atual estado das cadeiras.

“Espera que alguém ponha cobro a isto”, disse, pedindo a interferência do Presidente da República para que a resolução do problema.

Na quarta-feira, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais acusou o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) de boicotar os serviços mínimos decretados para a greve ao dar orientações aos delegados para serem “extremamente zelosos”.

Em greve desde o início do mês, o SNCGP começou hoje um novo período que foi, entretanto, prolongada até 27 de dezembro, admitindo mais uma paralisação até ao fim do ano e greve de zelo durante todo o ano de 2019.

Em causa está a conclusão da revisão do estatuto profissional, exigindo os guardas prisionais que sejam retomadas as negociações com o Ministério da Justiça que foram suspensas em agosto.

No âmbito da revisão do estatuto, os guardas prisionais reivindicam uma atualização da tabela remuneratória, criação de novas categorias e um novo subsídio de turno.

Alteração dos horários de trabalho, descongelamento das carreiras e novos admissões para o corpo dos guardas prisionais são outros motivos dos protestos.

Também o Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional tem marcada uma greve entre 15 de dezembro e 06 de janeiro, coincidindo em alguns dias com a paralisação marcada pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.

 

CMP/JGJ // HB

Lusa/fim

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