O Partido Verde Europeu inicia, sexta-feira, em Berlim, um congresso para escolher os seus dois candidatos à Presidência da Comissão Europeia, animado pelos resultados eleitorais obtidos este ano em vários países.
Berlim, capital da Alemanha, onde o movimento teve bons resultados nos últimos meses, será palco do congresso dos Verdes Europeus – o partido político europeu que opera como uma federação de movimentos Verdes, incluindo o português – com o objetivo primeiro de eleger os dois candidatos que se apresentarão como sucessores de Jean-Claude Junker, na presidência da Comissão Europeia.
Os Verdes europeus surgem neste congresso particularmente animados com bons resultados obtidos em eleições nacionais e regionais, em países como Alemanha, Luxemburgo e Bélgica.
De sexta-feira a domingo, representantes dos 41 partidos Verdes disseminados pela Europa, vão aproveitar ainda para debater questões centrais da estratégia europeia do movimento, a meio ano das eleições para o Parlamento Europeu.
Um dos temas de fratura do Partido Verde Europeu é o seu posicionamento perante o projeto europeu, com os seus dirigentes a procurar conciliar posições pró-europeístas com partidos que não escondem a desconfiança com o rumo da estratégia da União Europeia.
Três nomes concorrem aos dois lugares de candidatos Verdes à presidência da Comissão Europeia: Ska Keller, Bas Eickhout e Petra De Sutter.
Ska Keller é uma dirigente alemã, eleita para o Parlamento Europeu pela primeira vez em 2009, aos 27 anos, a cumprir o seu segundo mandato em Estrasburgo.
Keller apresenta no seu programa de campanha uma posição claramente pró-europeia (admitindo as fraturas entre os Verdes Europeus sobre esta questão) e afirmando-se como adversária de ataques radicais de direita sobre o projeto da União Europeia.
Keller mostra-se particularmente preocupada com os movimentos extremistas que proliferam na Polónia, Hungria e Roménia e diz que os quer combater com uma afirmação dos valores democráticos à volta de matérias ecológicas, sociais e económicas.
Bas Eickhout é um dirigente holandês, deputado do Parlamento Europeu desde 2009, que diz ter despertado para os problemas políticos após a morte do controverso dirigente populista de Direita Pim Fortuyn, em 2002.
Eickhout considera que a social-democracia “perdeu cor”, traz os temas sociais para o topo da agenda dos Verdes e diz que, mais importante do que ser a favor ou contra a Europa, o principal é encontrar soluções para os problemas dos cidadãos.
Petra De Sutter é uma política belga, professora de Ginecologia na Universidade de Ghent, assumindo a sua carreira profissional como elemento central do seu comprometimento político.
De Sutter tem assento no Senado belga desde 2014 e aparece nesta corrida com uma agenda muito centrada na procura de soluções para os refugiados, tema que considera ser essencial resolver para uma harmoniosa evolução do projeto europeu.
Estes candidatos aparecem perante um grupo de delegados ao congresso em Berlim animados por resultados eleitorais muito favoráveis em diversos países, como na Alemanha, onde o Partido Os Verdes conseguiu significativas subidas nas recentes eleições regionais, em especial nos Estados da Baviera e do Hesse.
O Partido Ecologista Os Verdes, de Portugal, que terminou no sábado a sua 14.ª Convenção, em Lisboa, será um dos partidos que participará nesta discussão europeia.
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